ETE Industrial | Efluentes sanitários na indústria e mineração: pequenos sistemas, grandes desafios.
- Equipe Wetlands
- há 6 horas
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Em indústrias e mineradoras, tratar esgoto não é o foco do negócio... é uma necessidade! E ainda por cima, via de regra, é necessário tratar os esgotos em um cenário de: limitações de área disponível, prazos curtos de implantação e orçamentos restritos, além de frequentes realocações das unidades administrativas e, consequentemente, das estações de tratamento. Esse contexto faz com que a maioria das operações industriais adote alternativas pré-fabricadas ou sistemas modulares. Mas será esse o melhor caminho para uma ETE Industrial?

Depois de algum tempo trabalhando com diagnósticos de Estação de Tratamento de Esgoto (ETEs) em ambientes industriais, ficou claro para nós que existe uma grande lacuna entre adquirir uma ETE e, de fato, resolver o problema de tratamento de efluentes.
Observamos que os principais gargalos se dividem em duas fases cruciais: a aquisição dos equipamentos e a operação dos sistemas.
Principais problemas na AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS de uma ETE Industrial

1. Especificação técnica genérica: É comum que as ETEs sejam compradas baseadas apenas na contribuição hidráulica (vazão), muitas vezes calculada somente pelo número de funcionários. O problema aqui é ignorar critérios importantíssimos, como a avaliação da carga orgânica. Por se tratar de efluentes não domésticos, as cargas orgânicas costumam ser mais elevadas. Além disso, a durabilidade dos componentes e as rotinas operacionais necessárias costumam ficar de fora da equação.
2. Descompasso no funcionamento hidráulico: Para muitos casos, as ETEs costumam ter vazão nominal inferior a 1 L/s. O problema é que as menores bombas disponíveis no mercado frequentemente entregam vazões superiores a isso... Ou seja, a ETE opera recebendo vazões acima do projetado. Existem estratégias para mitigar esse choque, mas elas raramente são consideradas no momento da compra.
3. Falta de compatibilização e integração com a infraestrutura existente: Comprar a ETE é apenas o primeiro passo. Muitas vezes, o que acontece é que não se planeja a compatibilização da ETE com a infraestrutura local, ou seja, a necessidade das obras civis de infraestrutura do local de implantação, o arranjo locacional da ETE considerando a topografia do terreno, a interligação elétrica, etc... e tudo isso acaba gerando atrasos ou problemas na implantação das estruturas.
4. Falta de visão estratégica de gestão de efluentes pensando na circularidade: Indústrias e mineradoras consomem muita água, sendo que boa parte não precisa ser potável (para usos menos nobres como, por exemplo, para umectação de vias). Quando pensamos a gestão de efluentes de forma estratégica e com foco na circularidade, conseguimos otimizar ETEs existentes ou projetar novos sistemas que permitam que o tratamento de esgoto deixe de ser apenas um "gasto" e se torne uma fonte de recurso.

Principais problemas em OPERAÇÃO DE ETE INDUSTRIAL
1. Gestão de lodo: O problema n° 1... Em muitos sistemas, o lodo não é removido com a frequência adequada. Já diagnosticamos ETEs onde o lodo excedente nunca havia sido removido em anos, quando este deveria ser removido quinzenalmente! Se o lodo excedente não é descartado corretamente, ele acaba saindo junto com o efluente final... e aí começam os desenquadramentos!
2. Sistemas em sobrecarga hidráulica: A indústria expande, o número de funcionários cresce, mas a capacidade da ETE permanece a mesma... Muitas vezes, a solução não precisa ser trocar o sistema inteiro. É possível pensar no retrofit da estação, ampliando a ETE ou aumentando sua capacidade de tratamento no mesmo espaço físico, através de sistemas de tratamento mais eficientes.
3. Sistemas em sobrecarga orgânica: Novamente, estamos falando de efluentes sanitários não domésticos, com cargas orgânicas mais elevadas, contribuição de refeitórios e redes curtas. Hidraulicamente, a ETE pode estar operando dentro da vazão correta, mas em termos orgânicos, está em sobrecarga. Isso acaba resultando em baixa performance e constantes riscos de descumprimento dos padrões de lançamento e condicionantes ambientais.
4. Uso de medidas emergenciais como rotineiras: É comum vermos situações onde medidas emergenciais se tornam prática rotineira. É o caso, por exemplo, da inoculação constante de bactérias (tratadas quase como "pózinhos mágicos") para tentar mascarar o mau desempenho da ETE, reduzir odores ou reduzir a quantidade de lodo. Além da falta de critérios técnicos, essas medidas aumentam os custos operacionais e podem desbalancear a microbiologia dos reatores... Uma ETE recebendo esgotos, quando bem dimensionada e operado corretamente, já possui todas as bactérias necessárias para que o sistema biológico funcione por conta própria.

Do diagnóstico à engenharia detalhada: como nós atuamos para escolha da melhor ETE Industrial.
É nesse contexto que desenvolvemos um escopo de trabalho completo. Nós orientamos o cliente desde o diagnóstico da ETE existente e escolha do melhor sistema, até a sua implantação e operação.
Foi o que aconteceu recentemente em um trabalho que desenvolvemos em uma mineradora em Goiás. O trabalho consistiu em:
1. Diagnóstico Operacional e Plano de Adequação: O cliente possuía duas ETEs (uma operacional e outra administrativa). Realizamos uma visita técnica em campo e elaboramos um diagnóstico completo da situação das ETEs juntamente com um plano de ação para adequação. Na primeira, conseguimos identificar que pequenas intervenções e ajustes na rotina operacional seriam suficientes. A segunda, porém, operava em colapso de sobrecarga hidráulica e orgânica, além de possuir reatores anaeróbicos de onde o lodo nunca havia sido removido. Você consegue imaginar como estava esse material lá dentro...
2. Especificação Técnica da Solução: Para a ETE que precisava ser substituída, o espaço era limitado. A melhor alternativa foram as ETEs pré-fabricadas. Fizemos o levantamento de fornecedores e apresentamos as opções ao cliente, avaliando o trade-off entre elas: custos, processos de tratamento embarcados, facilidade de operação e durabilidade. Discutimos com o cliente e chegamos juntos ao melhor arranjo.
3. Projetos de engenharia detalhada: A compra da ETE pré-fabricada não contempla tudo que é necessário para a implantação e operacionalização do sistema. Nós absorvemos os projetos periféricos que faltavam: projeto das obras civis para o sistema de desaguamento de lodo e da base de apoio estrutural, projeto de interligação elétrica e projetos civis/arquitetônicos e de urbanização de entorno. Além disso, oferecemos todo o suporte para a aquisição dos novos equipamentos e o acompanhamento da desmobilização das estruturas existentes e implantação das novas estruturas. Ou seja, entregamos a solução completa e a assessoria necessária para tirar o projeto do papel e colocar a ETE no chão, funcionando.

Se o tratamento de efluentes tem sido um desafio na sua empresa, vamos conversar. Nós podemos te ajudar a adequar sua planta atual ou a adquirir uma nova ETE que seja tecnicamente aderente, operacionalmente viável e confiável.
Nós resolvemos o seu problema com efluentes, para que você possa focar no seu negócio.





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